terça-feira, 29 de junho de 2010

Histórias Ludopédicas: Bagunça Pré-FPF

FPF, Federação Paulista de Futebol. A Federação estadual de futebol com mais associados. Hoje o que é uma organizada instituição presidida por Marco Polo del Nero já foi uma desordem só, até porquê ela teve antecessores brigões. Vou contar a história...

No fim do século XIX, o futebol começava a ganhar ares importância na cidade de São Paulo. O primeiro Campeonato Paulista relatado ocorreu em 1899 pelas equipes do SPAC, Mackenzie College e Hans Nobiling, que foi o time homônomo deste alemão que posteriormente fundou o S.C. Germânia.

Com o surgimento de outras equipes voltadas para o futebol, é criada então a Liga Paulista de Foot-Ball, em 14 de dezembro de 1901. Os fundadores foram o SPAC, o S.C. Internacional, A.A Mackenzie College, S.C. Germânia, e C.A. Paulistano. Seu primeiro presidente foi Antonio Casemiro da Costa, que deu seu nome para a primeira taça a ser disputada no país. Em 1912, a LPF começa a sofrer concorrência. Neste ano houve uma cisão entre os dirigentes. Uns defendiam a popularização do esporte, enquanto outros queriam a manutenção de esporte para senhores de alta classe. O estádio oficial também foi motivo para discussão. A LPF preferia o Parque Antártica, enquanto o Paulistano defendia a utilização do Velódromo.

Nesse contexto, o Paulistano e a A.A. das Palmeiras, se retiram do campeonato, e o Paulistano cria a APSA, a Associação Paulista de Sports Atléticos. O primeiro campeonato da APSA é disputado por só três equipes: Paulistano, A.A. das Palmeiras e Mackenzie. Mas ano a ano, a liga vai ganhando adeptos e em 1917, a LPF é extinta. A APSA passa a se chamar APEA, Associação Paulista de Esportes Atléticos, apenas por questões gramaticais da época.

A APEA consegue reunir, finalmente, o primeiro 'Trio de Ferro' do estado: Paulistano, Palestra Itália e Corinthians. De 1917 a 1925, a APEA se consolida, e o futebol começa a adquirir sua característica atual. Em 1926, começam os debates sobre a profissionalização do esporte. Esse fator, somado à popularização do futebol, faz com que o Paulistano rompa novamente com uma federação que ajudou a fundar, desta vez com a APEA, para fundar a LAF, Liga dos Amadores de Futebol. Seguido pelos seus principais clubes do início do século, a LAF rivalizou com a APEA até 1929. Nesses quatro campeonatos ocorridos simultaneamente, o futebol cresce com a briga entre as duas. Equipes do interior são convidadas a disputar o certame, como Guarani, Ponte Preta, Comercial de Ribeirão Preto, Paulista de Jundiaí entre outras.

O primeiro Trio de Ferro.

Mas na verdade, a história ja tinha mudado, e o Paulistano continuava parado no tempo. Aquele futebol do início do século que prezava pelo elitismo e pelo amadorismo já não existia mais. Então, em 7 de janeiro de 1930 a LAF fecha as portas, e o Paulistano, grande clube da época, abandona o futebol melancolicamente. Em 1933, sob regência da APEA, ocorre a profissionalização do futebol em São Paulo.

Em 1934, havia no país uma disputa entre a CBD e a FBF (Federação Brasileira de Futebol) pelo comando do esporte. Apoiados pelo Vasco da Gama, e Botafogo do Rio, Palestra Itália e Corinthians se aliam a CBD e fundam a Liga Bandeirante de Futebol, em 10 de dezembro. A fim de apressar a pacificação do futebol no estado e admitir a entrada de novos clubes, em 11 de fevereiro de 1935, a denominação é mudada para Liga Paulista de Futebol, depois Liga de Futebol Paulista, e em 13 de agosto de 1937, finalmente, a denominação é mudada para Liga de Futebol do Estado de São Paulo.

Enfraquecida, a APEA organiza seu último campeonato em 1936 e desaparece em meados de 1938, assim como a FBF.

Os fundadores.

a LFP passa a ser a única entidade oficial de futebol do estado de São Paulo depois de cerca de 30 anos. Com a oficialização do esporte no país, que determinou a sua 'estandarização', em 22 de abril de 1941, houve uma nova mudança de nome. Surgia então a Federação Paulista de Futebol, que teve como fundadores o Palestra Itália (Hoje Palmeiras), Corinthians, São Paulo, Santos, Portuguesa de Desportos, Juventus, Espanha (Hoje Jabaquara de Santos), Comercial de São Paulo (extinto), Portuguesa Santista, Ypiranga (extinto) e SPR (Hoje Nacional). De lá pra cá, a FPF abriu as barreiras do interior com a criação da Lei do Acesso em 1947, e hoje, é a mais importante federação do Brasil e uma das mais modernas do mundo.

domingo, 27 de junho de 2010

Mude sua cara

Achei um site sensacional esses dias e vou compartilhar com vocês. É o http://www.faceofthefuture.org.uk/ onde o uso é muito simples e não exige quase nada de sua máquina, só precisando do Java atualizado.

O site consiste em simular como seria seu rosto, dependendo do lugar do mundo onde você nasceu, sua aparência em determinada idade, e até mesmo como você seria se retratado em uma obra de arte, ou quando está bêbado, e explorando sua aparência se você fosse um humanóide próximo a um macaco.

Basta definir sua etnia (Parte mais importante. Se você for branco e se definir como negro, provavelmente a montagem ficará clara demais, ou se você for negro e se definir como branco, sairá uma montagem escura demais), sua idade atual, carregar sua foto, recortar seu rosto e determinar a posição de seus olhos e boca. Carreguei uma foto minha e fiz a experiência:

Foto original

Da foto original, saíram como eu seria se ainda fosse um bebê, uma criança, um adolescente e um senhor de idade (Clique para ampliar):


Em seguida, minha aparência se fosse negro, asiático ou árabe/indiano:

Agora, meu rosto se retratado por artistas como Modigliani, Botticelli e Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco:

É também disponível modos mais despojados, como o homem-macaco, rosto em mangá e rosto embriagado:

O mais legal é que os resultados de rosto para rosto são bem diferentes. Fiz uns testes com o Zulu, nosso parceiro:

Como criança, idoso, branco e metade macaco.

Vale a pena fazer testes e se divertir vendo os resultados.

Pequenos Gigantes - Filiais Cariocas (5 de 5)

No último artigo da série sobre as equipes que com atos mínimos ajudaram a escrever a história do futebol paulista, nada mais justo que homenagear nossos vizinhos cariocas, que têm um futebol tão tradicional quanto o paulista.

Pois bem. Na várzea paulistana existiam dois grandes times na década de 20. Nada menos que o União Fluminense e o União Vasco da Gama. Lembrando que o Rio na época era capital do país, fica fácil de entender a influência que a cidade exercia sobre o restante do país.

O Fluminense e o Vasco, duas das maiores e mais tradicionais equipes brasileiras, já inspiraram agremiações paulistanas.

Mas as duas equipes, que tantos anos jogaram na várzea, e depois na segunda divisão da APEA, uma federação paralela paulistana, nunca conseguiram chegar a divisão de elite. O União Fluminense por exemplo foi bicampeão da segunda divisão em 1919 e 1920, mas não foi aceito entre os grandes, já que a lei do acesso ainda não vigorava.

Pequenos Gigantes - Profissionais amadores (4 de 5)

Várias foram as equipes que marcaram época na fase amadora do nosso futebol. Mesmo alguns times de menor renomada no profissionalismo, tiveram grande destaque nessa fase.

Clubes como Altinópolis, Avareense e Floresta de Amparo, nunca vingaram no profissionalismo, mas chegaram a vencer vários torneios amadores. Da mesma forma, existiram alguns clubes que mesmo sem nunca terem se profissionalizado, fizeram história no futebol do interior, como o Cinelândia de Santa Rita do Passa Quatro ou a A. A. Mocoembu de Dois Corregos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pequenos Gigantes - Caipira Forasteiro (3 de 5)

A Associação Atlética Caldense de Poços de Caldas, Minas Gerais, quase disputou o campeonato Paulista. A proposta apareceu em 1951, quando o time, que já era tradicional em amistosos, resolveu disputar um campeonato oficial.

Na verdade, dois fatores pesaram e muito para que isso não se concretizasse. Em primeiro lugar, não havia um campeonato oficial para times do interior de Minas, e em segundo lugar, Poços de Caldas recebia influência em grandes remessas do estado de São Paulo.

A Caldense chegou a se inscrever no campeonato, mas a pedido da federação mineira, a CBF (na época CBD) interviu na inscrição e proibiu a equipe de jogar o Campeonato Paulista.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pequenos Gigantes - O time pizzaria (2 de 5)

No final da década de 20, com a cisão das ligas e a criação da LAF (Uma das antecessoras da FPF) em 1926, o futebol paulistano vivia em polvorosa. Cada liga queria trazer para si o maior número de equipes para a disputa de seu torneio, para ficar cada vez mais prestigiada. Com essa verdadeira 'guerra', o futebol foi amadurendo e criando rivalidades. Campeonatos do interior começaram a ser bem melhores organizados e surgiram divisões classistas e a segunda divisão paulista.

Em 1928 e 1929, duas equipes que rivalizavam se alternavam na liderança desses novos campeonatos: Castellões e Colombo. Ambos haviam nascido da várzea e então começavam a dar mais valor ao esporte, levando o futebol mais a sério.

Mas se no campo existia rivalidade, fora dele reinava a paz e a amizade. A cada final de jogo, sem importar muito o resultado, os atletas do Castellões iam comemorar numa cantina do tradicional bairro do Brás, inclusive tendo em algumas ocasiões a companhia de seus adversários do Colombo. Essas comemorações e confraternizações ficaram tão frequentes que posteriormente a cantina foi rebatizada de Castellões.

Até os dias de hoje, belos exemplares de diversos sabores de pizzas podem ser degustados neste que é um dos mais tradicionais restaurantes da cidade de São Paulo.

Psicólogo popular

Problemas graves? Alcoolismo, drogas, cigarro? Virou corno? Seu filho é gay? A privada entupiu? Roubaram seu radinho de pilha? Brochou?

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

São Bento - Tradição Interiorana

Não se pode falar do Esporte Clube São Bento de Sorocaba sem citar a cidade (No começo do século XX, ainda distrito) de Votorantim.

O futebol em Sorocaba foi se desenvolvendo em duas frentes. De um lado, o esporte foi trazido por alunos do Colégio Mackenzie da própria cidade de Sorocaba. Do outro lado, italianos de Votorantim, que fundaram o Savóia. Aliás, as principais referências do futebol sorocabano no ínicio do século XX dizem respeito ao Savóia. Outra equipe de destaque na época era o Sorocano, mas ambos praticavam o esporte no amadorismo.

Já em 1913, Sorocaba sofria com uma epidemia de febre amarela, que quase avassalou a cidade toda. Mas isso não impediu a fundação do Sorocaba Athetic Club, com a intenção de representar a cidade no futebol, já que na região, ela se desenvolvia cada vez mais.

Um ano depois em 14 de outubro 1914, o clube mudava seu nome para a atual denominação, Esporte Clube São Bento. A razão da mudança era que os primeiros jogos do clube eram realizados num campo que ficava atrás do mosteiro de São Bento. Isso explica a confusão que alguns fazem sobre a fundação do clube ser em 1913 ou 1914.

O time então se inscreve na Federação e passa a disputar os campeonatos do interior.

Em 1953, 40 anos depois de sua fundação, o Azulão se inscreve na segunda divisão de profissionais e passa a ser o primeiro representante da cidade na divisão de acesso. Acesso este que chega com o título de 1962.

Inicia-se então o período de glórias do time. Por mais de 25 anos o São Bento figura entre os principais clubes não só do interior, como do estado de São Paulo. Já no seu primeiro ano, o Bentão termina o campeonato num 4° lugar que honrou a cidade toda, desbancando grandes equipes do estado.

De lá pra cá, a equipe passou a ser referência de qualidade dos clubes do interior e ainda um dos maiores reveladores de craques para o futebol brasileiro. Na década de 90, o Falcão acaba caindo para segunda e terceira divisões do campeonato paulista. Nos anos 2000, o time sorocabano ainda conseguiu voltar a primeira divisão da competição, mas caiu novamente, e hoje tenta se reerguer e relembrar a todos sua força.

Por todos esses feitos, o São Bento de Sorocaba até hoje é considerado um dos principais clubes do interior paulista de toda a história do futebol do estado.

Pequenos Gigantes - Serra Morena (1 de 5)

(É claro que uma história tão rica como a do futebol paulista não poderia ter sido escrita somente por times de grande demanda. Vários clubes praticamente anônimos ajudaram a construir a mística do melhor futebol do Brasil. Esta série de artigos é dedicada a equipes que fizeram coisas pequenas, porém históricas, que ajudam até hoje a descrever a história do futebol paulista.)

Associação Atlética Serra Morena
Quem não se lembra do 'Desafio ao Galo'? O torneio amador mais importante da história do futebol paulista, que era disputado nas manhas dominicais, atraía grande atenção aos admiradores do futebol de várzea, descrevendo como poucos o que é a paixão pelo futebol. Disputado no campo do CMTC Clube, era uma das maiores reproduções do estilo de futebol que se disputava na época. Mas o que poucos sabem é que o campo do CMTC Clube na verdade pertencia a outra equipe, a Associação Atlética Serra Morena, ou simplesmente Serra Morena.

Mas o time perdeu os direitos do estádio em 1939, por conta de o mesmo se localizar num terreno público. Após a mudança, o Serra Morena se instalou no bairro do Canindé, muito próximo ao estádio do Canindé, propriedade da Portuguesa de Desportos, se localizando lá até hoje.

Futebol pragmático é premiado

A Suíça surpreendeu a milhões de aficcionados por futebol, no jogo contra a Espanha pela primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo da África do Sul. Surpresa, realmente?

A Suíça é reconhecidamente uma seleção que toma pouquíssimos gols, mas que peca na hora de atacar, e isso não é de hoje. Apesar de contar com grandes jogadores no comando de ataque como Blaise N'Kufo e Alexander Frei, e de ter em seus convocáveis meias armadores excelentes como Hakan Yakin e Tranquillo Barnetta, o time tem declaradas dificuldades na hora de atacar, e isso se deve ao esquema completamente defensivo da seleção vermelha.

A defesa surpreende, de tão boa. Além de contar com Senderos e Gritching, dois grandes zagueiros, ainda tem a disposição outro belo jogador da posição, Reto Ziegler. Além deles, os laterais são excelentes na marcação, como Behrami e Spycher. Já que o time joga com um 4-4-2 com duas linhas defensivas para bloquear a passagem do gol do excelente goleiro Benaglio, apenas Benjamin Huggel é volante de origem. Os outros três dessa linha são jogadores mais ofensivos, porém, que voltar para ajudar na marcação.

A Suíça ainda é favorecida por conta do futebol ter mudado muito. Esqueça toques maravilhosos, dribles inquietantes e jogadas de efeito. Hoje a prioridade é a marcação, e a Suíça aplica isso de uma forma excelente.

No jogo de hoje contra a Espanha, não foi diferente. Numa das poucas chances que a Suíça teve para abrir o marcador, não desperdiçou, mesmo que numa jogada estranha de Gelson Fernandes.

A dúvida é se realmente, o futebol não abre mais espaços para times que só pensam em atacar, e se agora o esporte é de quem preza para se defender e atacar na hora certa, como a seleção da Suíça fez.